Reforma Tributária: o regime híbrido pode impactar empresas do Simples Nacional?

Embora muitos empresários ainda estejam focados apenas nas futuras alíquotas, a realidade é que a competitividade das empresas poderá ser influenciada principalmente pela capacidade de gerar créditos tributários dentro da nova estrutura.

Créditos: Magnific
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Redação Fidere

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O que será abordado neste artigo:

  • O que é o regime híbrido da CBS e IBS?
  • O prazo para decisão exigirá planejamento
  • A decisão não depende apenas da empresa
  • O impacto do Imposto Seletivo (IS)
  • Empresas que começarem antes terão vantagem

 

O que é o regime híbrido da CBS e IBS?

A decisão sobre permanecer no modelo tradicional do Simples Nacional ou optar pelo regime híbrido poderá impactar diretamente relações comerciais, precificação, margem operacional e até a permanência em cadeias de fornecimento.

Com a Reforma Tributária, empresas enquadradas no Simples Nacional poderão avaliar a possibilidade de aderir ao chamado regime híbrido da CBS e IBS.

Nesse modelo, parte da tributação continua ocorrendo dentro da sistemática do Simples Nacional, mas a empresa passa a permitir a geração de créditos tributários para seus clientes em relação à CBS e ao IBS.

Essa mudança ganha importância porque o novo sistema tributário brasileiro será altamente baseado em aproveitamento de créditos. Em outras palavras, empresas capazes de gerar um volume maior de créditos poderão tornar-se mais competitivas comercialmente em determinadas cadeias produtivas.

No regime híbrido, o IBS e a CBS passam a ser apurados separadamente do DAS, enquanto os demais tributos continuam dentro da sistemática do Simples Nacional.

 

O prazo para decisão exigirá planejamento

Um aspecto que merece atenção é o cronograma estabelecido para essa decisão. A escolha pelo regime híbrido poderá ser feita até 30/09/2026 e vigorará durante todo o primeiro semestre de 2027. Isso significa que muitas empresas precisarão iniciar suas análises ainda em 2026 para evitar decisões precipitadas ou perda de competitividade futura.

Esperar a implementação definitiva da Reforma para só então entender os impactos pode reduzir a capacidade de adaptação da empresa.

 

A decisão não depende apenas da empresa

Ao analisar a Reforma Tributária, um dos maiores erros é acreditar que a decisão será baseada apenas na própria carga tributária da empresa. A escolha pelo regime híbrido dependerá principalmente de fatores como:

  • Perfil dos clientes;
  • Estrutura tributária dos fornecedores;
  • Cadeia de suprimentos;
  • Capacidade de geração de créditos fiscais;
  • Exigências comerciais do mercado.

Empresas que vendem para outras empresas que aproveitam créditos tributários poderão sofrer maior pressão competitiva caso permaneçam em um modelo menos vantajoso para seus clientes.

Vamos a um exemplo:

Imagine um comércio optante pelo Simples Nacional que fornece produtos para indústrias. Nesse cenário, será necessário avaliar questões estratégicas como:

  • Os clientes aproveitam créditos tributários?
  • Os fornecedores geram créditos?
  • Qual percentual do faturamento depende de empresas que exigirão esse tipo de estrutura?

Se os concorrentes começarem a gerar créditos mais vantajosos para os compradores, a empresa poderá perder espaço comercial mesmo mantendo preços competitivos. Por isso, a análise da Reforma Tributária não pode ser limitada apenas à alíquota efetiva.

 

O impacto do Imposto Seletivo (IS)

Outro tema importante dentro da Reforma Tributária é o IS (Imposto Seletivo).

Muitas empresas ainda interpretam o novo imposto como uma simples substituição do IPI, mas a lógica será diferente. O IS terá funcionamento próprio e poderá gerar impactos específicos dependendo do setor econômico e do tipo de produto comercializado.

Isso reforça a ideia de que a Reforma Tributária não deve ser analisada apenas sob uma perspectiva fiscal ou operacional; estamos falando de mudanças estruturais que podem alterar as relações comerciais, os preços, as margens e o posicionamento competitivo.

 

Empresas que começarem antes terão vantagem

Empresas que iniciarem agora estudos tributários, análises de cadeia e simulações de impacto terão mais previsibilidade para tomar decisões estratégicas nos próximos anos. Em muitos casos, o maior risco não será pagar mais imposto, mas perder competitividade por falta de planejamento.

A Reforma exige visão estratégica, integração entre áreas financeiras, fiscais e comerciais, além de acompanhamento técnico contínuo.

A Fidere acompanha de perto todos esses desdobramentos da Reforma Tributária para apoiar empresas na construção de decisões mais seguras, estruturadas e alinhadas à realidade de cada operação.